Golpistas usam Minha Casa, Minha Vida e Desenrola Brasil para cobrar valores falsos


Postada em : 26/08/2026

Golpistas usam Minha Casa, Minha Vida e Desenrola Brasil para cobrar valores falsos

Programas do governo voltados ao apoio financeiro e social viraram isca em fraudes digitais. Criminosos usam o nome de iniciativas conhecidas, como o Minha Casa, Minha Vida e o Desenrola Brasil, para apresentar ofertas falsas e induzir o cidadão a fazer pagamentos ou transferências.

A prática cresceu com a ampliação dos serviços públicos digitais e ocorre por abordagens que imitam comunicações ou atendimentos legítimos. Segundo a Associação Brasileira de Bancos (ABBC), os golpes usam técnicas de engenharia social para se ajustar às expectativas das vítimas.

Fraudes exploram quem busca benefícios

A tática dos criminosos é associar uma falsa vantagem ao nome de um programa conhecido. A vítima acredita estar diante de uma oportunidade ligada a um serviço público e, a partir daí, pode ser levada a realizar alguma operação financeira.

No Minha Casa, Minha Vida, uma das iscas é a oferta fictícia de prioridade na fila ou de aprovação garantida de financiamento. Para sustentar a promessa, o golpista pode exigir pagamento antecipado por Pix ou enviar um boleto que aparenta fazer parte do processo.

No Desenrola Brasil, a fraude pode vir por páginas ou aplicativos falsos que imitam os canais do programa, apresentando supostas condições de renegociação e conduzindo a vítima a um pagamento.

O problema aparece quando o dinheiro transferido não vai para a quitação da dívida nem para o serviço prometido — o valor cai diretamente na conta dos criminosos.

Pressa é usada para induzir o pagamento

A forma como a mensagem é apresentada ajuda a identificar a fraude. Abordagens que passam a ideia de que é preciso agir imediatamente exigem atenção.

Avisos como "último dia" ou ameaças de cancelamento de um benefício servem para pressionar a vítima, reduzindo o tempo para checar se a comunicação partiu mesmo de um órgão ou programa oficial.

Outro cuidado é com os links. Mensagens por WhatsApp, SMS ou e-mail não devem ser abertas automaticamente; antes, é preciso conferir a origem do contato e se o endereço corresponde ao canal oficial.

A mesma cautela vale para quem se apresenta como atendente e promete vantagens ou agilidade por aplicativos de mensagem. A ABBC recomenda procurar diretamente os canais oficiais.

Onde consultar serviços públicos com segurança

Para evitar páginas e aplicativos falsos, a orientação é acessar diretamente o portal gov.br ao buscar informações sobre serviços e programas públicos.

A consulta direta reduz a dependência de links enviados por terceiros e ajuda o cidadão a encontrar os canais oficiais do serviço que pretende usar.

Quando o atendimento precisar ser presencial, a pessoa deve procurar os locais indicados pelo próprio programa. Em alguns casos, um ponto de referência pode ser o Centro de Referência da Assistência Social (CRAS).

O cuidado é ainda maior diante de pedidos de pagamento para liberar benefícios, acelerar processos ou obter condições não confirmadas pelos canais oficiais.

O que fazer após um golpe?

Se perceber que fez uma operação por causa de um golpe, a primeira providência é contatar imediatamente a instituição financeira envolvida.

A comunicação deve vir acompanhada de um boletim de ocorrência, para formalizar a situação e registrar as informações disponíveis sobre a fraude.

A atenção aos canais usados é uma das principais medidas preventivas: mensagens inesperadas, links desconhecidos e contatos que prometem facilidades em programas públicos devem ser verificados antes de qualquer ação.

A ABBC reforça a importância da informação para reduzir a exposição aos golpes digitais, confirmando sempre nos canais oficiais qualquer oferta, cobrança ou orientação recebida em nome de programas do governo.

Impactos para a classe contábil

Os contadores também podem se deparar com clientes que recebem abordagens fraudulentas ligadas a programas de apoio financeiro ou à regularização de dívidas. Nesses casos, orientar sobre a verificação da origem das informações pode fazer parte do atendimento.

Situações que envolvem pagamentos, renegociações ou supostos benefícios pedem atenção antes de qualquer transferência do cliente. O profissional pode orientar a busca pelos canais oficiais antes de qualquer medida financeira.

A disseminação de golpes digitais reforça o cuidado no compartilhamento de informações e no uso de links recebidos por mensagem. Acompanhar essas práticas ajuda a classe contábil a orientar clientes diante de abordagens que envolvam dinheiro e serviços públicos.

Fonte: Com informações de Contábeis