Expansão da terceirização deixa 60% dos profissionais PJ sem benefícios estruturados


Postada em : 15/07/2026

Expansão da terceirização deixa 60% dos profissionais PJ sem benefícios estruturados

O avanço dos modelos flexíveis de contratação vem transformando o mercado de trabalho brasileiro, mas ainda deixa uma parcela significativa dos profissionais sem acesso a benefícios tradicionalmente ligados ao emprego formal. Levantamento da HUG mostra que 60,3% dos freelancers e profissionais PJ afirmam não ter nenhum benefício estruturado, mesmo atuando de forma recorrente nesse modelo.

A pesquisa ouviu 73 profissionais das áreas de marketing, comunicação, gestão, dados, audiovisual e tecnologia e revela um mercado cada vez mais consolidado, mas que ainda enfrenta desafios de proteção social e planejamento de longo prazo.

Os dados mostram que o trabalho sob demanda já não é um fenômeno apenas temporário. Entre os entrevistados, 76,8% atuam como freelancer ou PJ há mais de um ano e quase metade (49,3%) está nesse modelo há mais de quatro anos.

Apesar da consolidação, poucos conseguem reproduzir a estrutura de benefícios da contratação tradicional. Apenas 17,8% afirmam ter plano de saúde próprio e 13,7% dizem manter reserva financeira para férias. Previdência privada, programas de capacitação e outros benefícios aparecem com participação ainda menor.

Para Gustavo Loureiro Gomes, fundador e CEO da HUG, o dado revela uma das principais transformações do mercado atual: "O modelo PJ deixou de ser algo temporário para muitos profissionais. Hoje existe uma parcela significativa de pessoas que construiu sua carreira dentro desse formato. O desafio agora não é apenas gerar oportunidades de trabalho, mas criar mecanismos que tragam mais segurança e sustentabilidade para essas trajetórias", afirma.

Nova relação com a CLT

A pesquisa também mostra que a relação dos profissionais com o emprego formal mudou. Questionados sobre o que os faria voltar à CLT, a principal resposta foi um salário significativamente superior à renda atual, apontada por 27,4%. Na sequência aparecem fatores ligados à qualidade de vida e à flexibilidade: 24,7% citam a possibilidade de trabalho remoto e flexível, 21,9% mencionam estabilidade financeira em momentos específicos da vida e 17,8% citam acesso a benefícios como saúde e previdência.

Na avaliação da HUG, os dados indicam que o debate sobre o futuro do trabalho deixou de ser uma escolha entre CLT e PJ e passou a envolver a construção de modelos híbridos, que conciliem autonomia profissional com mecanismos de proteção e desenvolvimento de carreira. "O mercado amadureceu. A discussão agora não é mais sobre escolher entre flexibilidade ou estabilidade. O desafio está em construir estruturas capazes de oferecer os dois elementos ao mesmo tempo", afirma Gustavo.

Trabalho sob demanda, mas duradouro

O levantamento mostra ainda que o trabalho sob demanda tem sido sustentado por relações cada vez mais duradouras com clientes. Hoje, 38,4% dos entrevistados atuam em modelo híbrido, combinando projetos pontuais, contratos recorrentes e clientes de longo prazo, enquanto 26% mantêm contratos longos com um ou dois clientes principais.

Para a HUG, o cenário reforça a profissionalização do mercado de talentos independentes e indica que empresas e profissionais caminham para relações mais estruturadas e menos baseadas em demandas esporádicas. "O profissional PJ não busca apenas novas oportunidades de trabalho, mas também desenvolvimento, segurança e uma rede de apoio para sustentar sua carreira no longo prazo", conclui Gustavo.

Fonte: Com informações de Contábeis