Como estruturar um conselho na sua empresa


Postada em : 16/01/2026

Como estruturar um conselho na sua empresa

Montar um conselho é estratégico para sustentar o crescimento de uma empresa. Como o nome indica, trata-se de um lugar de análise, debate e discussão com profissionais experientes em diversas áreas, que apoiam gestores na tomada de decisão.

A adoção desse modelo tem amplo respaldo no meio empresarial. Segundo pesquisa realizada no ano passado pela Fundação Dom Cabral (FDC) em parceria com a consultoria NEO Executive Search, 76% dos entrevistados – entre conselheiros, CEOs e sócios – reconhecem que estruturas de governança com esse mecanismo favorecem a sustentabilidade e a perenidade do negócio no longo prazo.

“Em vez de aprender com os erros, o conselho oferece a oportunidade de preveni-los”, diz Rô Amonet, empresária e conselheira-executiva de Inclusão Racial e Gênero do G100 Brasil, grupo de líderes mulheres. Outro benefício é apontado por Daise Natividade, membro do Conselho Nacional de Empreendedorismo Feminino do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Memp) e conselheira em organizações do terceiro setor: “É um antídoto contra a solidão do comando, uma oportunidade de visualizar pontos que, no dia a dia, às vezes não se enxerga”.

Cabe diferenciar os tipos de conselho, segundo a conselheira e empresária Jandaraci Araújo. “O consultivo tem caráter orientador – escuta, provoca reflexões e aconselha. Serve para trazer experiência, conexões e conhecimento especializado que, muitas vezes, o fundador ou os gestores não têm”, afirma. O administrativo conta com poder de decisão. Ambos compartilham a mesma essência: garantir mais clareza estratégica e suporte qualificado para o negócio atravessar ciclos de transformação.

Seja qual for o modelo, sua estruturação e execução seguem dinâmicas similares. Confira, a seguir, como criar um.

Por que criar um conselho?

Essa estrutura funciona na forma de uma rede de apoio à gestão. Formada por um grupo externo de especialistas, ela tem a missão de auxiliar a empresa, resume Natividade, do Memp. “É um espaço seguro, no qual os líderes podem compartilhar seus maiores desafios, dúvidas e vulnerabilidades com profissionais experientes”, afirma.

Contar com esse time ajuda as lideranças a ampliar a visão do negócio, a ouvir diferentes opiniões e a ponderar sobre determinadas questões sob ângulos variados. Araújo reforça que, no modelo consultivo, o papel central é melhorar a governança e fortalecer a estratégia e a visão de longo prazo. E acrescenta outro: “Para pequenas e médias empresas [PMEs], abre portas, porque traz conexões que aceleram o crescimento, como o acesso a investidores, parceiros estratégicos e clientes relevantes”.

Que empresa deveria ter um?

Nenhum negócio precisa nascer com um conselho. No início, o fundador e/ou os gestores dão conta de tomar as decisões necessárias de forma assertiva. A estrutura passa a fazer sentido quando a organização busca profissionalização – caso de PMEs, negócios familiares em transição, startups e até organizações da sociedade civil e do terceiro setor.

Na avaliação de Amonet, do G100 Brasil, trata-se de um recurso para promover um crescimento sólido – independentemente do porte. “No entanto, as pequenas e médias se beneficiam mais do que as maiores, porque, em geral, têm menos recursos financeiros para contratar determinados profissionais, e um erro estratégico pode ser fatal”, afirma. Na avaliação de Natividade, pode ser vantajoso também para quem se sente sozinho no comando ou que está prestes a entrar em um território completamente novo.

Como estruturar?
Ao montar um conselho, é preciso levar em consideração o porte e a complexidade do negócio. O de administração é regido pela lei nº 6.404/76, que determina um mínimo de três pessoas. Mas Araújo sugere ir além em qualquer caso: o ideal é ter de cinco a 11 integrantes, para assegurar diversidade de perspectivas sem perder agilidade nas decisões.

A necessidade do empreendedor também precisa entrar nessa conta, orienta Amonet – será essencial olhar o negócio e identificar qual é o maior desafio naquele momento. “A composição deve ser a solução para aquele problema.”


Natividade finaliza: “Pense na estrutura como se fosse montar um ‘dream team’ [time dos sonhos]. Não é sobre juntar o maior número de estrelas, mas as pessoas certas que se complementam para criar um ambiente produtivo de debate”.

Como buscar?

Profissionais experientes, empreendedores, investidores ou especialistas em áreas estratégicas para o negócio são potenciais integrantes. “O recrutamento pode acontecer de diferentes formas: a partir da rede de contatos dos sócios e por indicação de parceiros e de associações do setor”, explica Araújo.

Há empresas de headhunters que atuam nesse segmento, mapeando perfis para garantir diversidade de competências. Assim, assegura-se que as pessoas complementem lacunas da gestão e ampliem a visão estratégica.

Quanto mais diverso for o time, melhor, segundo Amonet. “É importante contar com pessoas de diferentes origens, etnias, formações, expertises e até de nacionalidades, se possível. Essa pluralidade gera os melhores insights, que se traduzem em resultados mais sólidos para as organizações.”

De que forma remunerar?

O pagamento deve ser baseado no valor entregue pelo especialista – e existem algumas formas de fazer essa negociação. Uma é o cachê por encontro, segundo Natividade. “Alguns conselhos [administrativos ou consultivos] começam com valores a partir de R$ 3 mil e vão até R$ 30 mil [para grandes empresas] por reunião, mas isso pode variar bastante.” Nesse escopo, de acordo com Amonet, o risco é não poder garantir a disponibilidade do profissional, já que ele pode facilmente ser contratado para compor outros conselhos.

De que forma remunerar?

O pagamento deve ser baseado no valor entregue pelo especialista – e existem algumas formas de fazer essa negociação. Uma é o cachê por encontro, segundo Natividade. “Alguns conselhos [administrativos ou consultivos] começam com valores a partir de R$ 3 mil e vão até R$ 30 mil [para grandes empresas] por reunião, mas isso pode variar bastante.” Nesse escopo, de acordo com Amonet, o risco é não poder garantir a disponibilidade do profissional, já que ele pode facilmente ser contratado para compor outros conselhos.

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios