Banco Central estuda interligar o Pix a sistemas de pagamentos internacionais


Postada em : 11/08/2026

Banco Central estuda interligar o Pix a sistemas de pagamentos internacionais

O Banco Central (BC) estuda conectar o Pix a sistemas de pagamento de outros países e a mecanismos multilaterais globais de pagamentos instantâneos. Segundo a autoridade monetária, a iniciativa busca reduzir tarifas e facilitar transações financeiras internacionais. Os planos foram detalhados no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado na segunda-feira (10).

Além do envio de dinheiro ao exterior, o documento aponta o desenvolvimento de novas funcionalidades, como transações por aproximação no modo offline — sem conexão com a internet — e a consolidação do Pix Automático para substituir o débito em conta corrente.

Pix como garantia de crédito

Outro avanço em avaliação é o "Pix Crédito", modalidade que pretende permitir o uso de fluxos futuros de recebimento via Pix como garantia para financiamentos. A expectativa do BC é melhorar a qualidade das garantias oferecidas e reduzir o custo do crédito no país, beneficiando especialmente empresas com forte volume de vendas pela plataforma.

Em paralelo, a instituição montou um grupo de trabalho para coibir abusos no campo de mensagens das transferências. O recurso, criado para identificar pagamentos, vem sendo usado indevidamente para o envio de ofensas e intimidações acompanhadas de valores irrisórios, e o BC estuda aplicar regras mais severas para barrar a prática.

Inteligência artificial reforça o combate a fraudes

Para reforçar a segurança do sistema, o Banco Central anunciou um conjunto de oito medidas antifraude. Entre os destaques está a criação de um indicador de "probabilidade de fraude", calculado em tempo real por inteligência artificial (machine learning) para cada transação e compartilhado com os bancos. O pacote inclui ainda:

  • Padronização obrigatória dos alertas de fraude entre instituições financeiras;
  • Automatização do fluxo de informações para bloqueios cautelares de transações suspeitas;
  • Estabelecimento de critérios objetivos mínimos para definir operações de risco;
  • Restrição do cadastro de novas chaves para instituições que descumprirem as regras do sistema.

Pix na mira dos Estados Unidos

O avanço e a autonomia do Pix colocaram o sistema brasileiro na mira do governo dos Estados Unidos, servindo de pretexto para a aplicação de tarifas de 25% sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil. A Casa Branca argumenta que a plataforma estatal configuraria uma "prática desleal", acusação rebatida pelo governo brasileiro. Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a reação de Washington ocorre porque a infraestrutura soberana do Pix reduz o controle financeiro norte-americano sobre as transações eletrônicas no país, diminuindo a eficácia de eventuais sanções econômicas ou pressões externas.

Fonte: Com informações de Jornal Contábil